Um músico é, antes de tudo, um corpo que emite e processa informações oriundas do meio ambiente, dos processos de comunicação e da cultura em geral.

Nosso corpo absorve tudo que vivenciamos, seja bom ou ruim, e estoca essas experiências em nossa memória. O resgate e a observação dessas experiências conduz a uma valiosa fonte de informações sobre nós mesmos. A busca do auto-conhecimento é essencial para mantermos a nossa individualidade, pois pertencemos a uma cultura de forte caráter massificador que mostra valores de conduta e dita as regras de como devemos nos divertir, alimentar, relacionar e trabalhar.

É fácil observar como os corpos têm sido banalizados e escravizados pela competição cega e pelas imagens que a mídia pretende que sejam as ideais. Como a saúde mantém um vínculo estreito com o nosso cotidiano, ela fica então, seriamente comprometida.

Mesmo em profissões, como a música, onde a sensibilidade estética e o prazer poderiam atenuar os efeitos massificadores da cultura dominante, as pessoas têm sofrido a influência da competitividade do mercado e das exigências obssessivas de competência, secundarizando seu corpo e sua saúde.

Se conseguirmos ficar atentos ao nosso corpo, poderemos percebê-lo como um afinado sinalizador da qualidade do nosso cotidiano, e conseqüentemente, como um guia do caminho mais saudável.

A ideologia de trabalho que norteia o Núcleo Exerser é a de valorização consciente do corpo do músico em prol de uma melhor qualidade de vida e de uma melhoria em seu desempenho profissional com o mínimo de desgaste possível.